Resposta ao Prof. Dr. Paulo Nussenzveig

Essa é a resposta da TDI Brasil ao artigo “Design inteligente não é ciência e não deve ser ensinado nas escolas” publicado em 12/02/2020 pelo Prof. Dr. Paulo Nussenzveig (https://jornal.usp.br/radio-usp/design-inteligente-nao-e-ciencia-e-nao-deve-ser-ensinado-nas-escolas/), e replicado em 16/02/2020 no artigo “Design inteligente não é ‘alternativa’ à teoria da evolução. E nem é ciência” (https://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2020/02/design-inteligente-criacionismo-ciencia/).

Respeitosamente destacamos que o artigo descreve impressões não fundamentadas em evidências e referências, mas apenas em opiniões pessoais. Inesperado, pois o artigo foi escrito por professor de física, e física experimental. Assim, precisaremos avaliar pontualmente suas colocações com mais profundidade científica, à luz de evidências e referências, e da história da ciência.

1) Primeiro, as preocupações do Dr. Nussenzveig com o “conhecimento adquirido com o uso dos métodos da ciência” e com a “educação em ciência” são louváveis e legítimas para qualquer país que deseje ser científica e tecnologicamente competitivo. Esta mesma preocupação está na agenda permanente e constante do grande e crescente grupo de pesquisadores que defende a Teoria do Design Inteligente (TDI), tanto no Brasil (já são mais de 2.000 associados à Sociedade Brasileira de Design Inteligente – TDI Brasil) quanto no exterior (exemplos: https://dissentfromdarwin.org/, https://www.discovery.org/id/, https://www.tdibrasil.com/).

2) Quanto à preocupação focada no “conhecimento adquirido com o uso dos métodos da ciência”, também compartilharmos dela, pois o DI é ciência baseada apenas em metodologia científica tradicional e cotidiana, metodologia essa que foi instituída por grandes filósofos como Francis Bacon, considerado como o “pai” do “método científico”. E, sabe o que defendeu Francis Bacon, junto com muitos outros grandes cientistas (alguns com contribuições incalculáveis no campo da física, inclusive!), tanto do passado (Isaac Newton, Johannes Kepler, Michael Faraday, James Clerk Maxwell, Louis Pasteur, Blaise Pascal, etc… http://nobelists.net) quanto do presente? Ele e tantos outros defenderam um Universo planejado e criado por um “designer inteligente”, e deixaram registrado testemunhos públicos de suas convicções científicas a favor do DI e das implicações filosóficas e teológicas que desencadeavam de suas observações científicas dos fatos, usando a mais pura metodologia científica. A mesma metodologia que o DI usa hoje.

2.a) Outro bom exemplo são os prêmios Nobel (Baruch A. Shalev, Atlantic Publishers & Dist, 2003) nas áreas de Física, Química, Medicina, Paz, Literatura e Economia, entre 1901 e 2000, pois quase 90% deles foram concedidos para cientistas com uma perspectiva de que o Universo e a vida foram planejados e criados através de alguma forma de Design Inteligente (DI). (fonte: https://books.google.com.br/books/about/100_Years_of_Nobel_Prizes.html?id=3jrbmL-DgZQC&redir_esc=y)

2.b) Ainda, para incluir também pesquisadores brasileiros de renome, que deixaram seu registro indelével nos anais da ciência em nosso país, e que também entenderam que o Universo e a vida surgiram por um design inteligente e proposital, vamos citar Carlos Chagas Filho (1910-2000) e César Lattes (1924-2005).

2.b.i) Assim como o Dr. Paulo Nussenzveig, César Lattes (a Plataforma Lattes do CNPq comporta toda a base de dados dos currículos dos pesquisadores brasileiros e internacionais no Brasil) também foi um físico experimental. Muitos entendem que Lattes foi merecedor de 2 prêmios Nobel em física, pela detecção do méson-pi natural em 1947, e artificial (cyclotron), em 1948. Pois bem, Lattes, em entrevista ao Jornal da Unicamp em 2001, sem dúvida um grande cientista e experimentalista, deixou claro suas convicções a favor do Design Inteligente (https://www.unicamp.br/unicamp_hoje/ju/ago2001/unihoje_ju165pag10.html).

2.b.ii) Quanto ao médico e pesquisador Carlos Chagas Filho (https://doi.org/10.1590/S0104-59702005000100010), com contribuições igualmente significativas para a ciência brasileira ( ele foi membro do Conselho Deliberativo do CNPq e participou da fundação do Instituto de Biofísica em que atuou), em uma entrevista concedida no final da década de 80 (http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702012000200019), ele responde a algumas perguntas sobre “Ciência e Religião”, como por exemplo: “Em que momento a ciência se encontra com a religião?”. Sua resposta categórica foi a seguinte:

“Eu acho que a ciência começa a tropeçar quando chega naquilo que chamamos de causa primeira. Vejam um exemplo: primeiro, a ciência descobriu o átomo. Depois se verificou que o átomo é constituído por partículas elementares. Hoje, despedaçam-se essas partículas elementares em outras partículas elementares e por aí vai… Até que chega um momento em que nos deparamos com alguma coisa que foi a causa primeira. Filosoficamente, o cientista que é sincero e que quer ir até o fim com sua racionalidade percebe que chega uma hora em que não pode avançar mais. Então é muito mais fácil acreditar que houve um princípio. Esse é o momento em que a ciência se entremeia com a filosofia e daí com a teologia…”.

Ou seja, um pesquisador do calibre do Dr. Carlos Chagas Filho foi capaz de reconhecer que a ciência tem limites claros e não consegue responder questões que somente a filosofia e a teologia estão aptas a tratar. Essa é a mesma opinião que o DI tem sobre os limites da ciência, da importância da filosofia e teologia, e das implicações filosóficas e teológicas das teorias científicas como a TDI. É assim que se faz ciência, e se expande seu alcance!

3) Quanto à afirmação central do artigo do Dr. Nussenzveig, de que “a hipótese de que um criador ‘inteligente’ é responsável pelo surgimento da vida (e do próprio Universo) não se presta a testes experimentais” e, “portanto, não pode ser considerada científica”, esse equívoco evidente pode ser rebatido com algumas perguntas interessantes:

3.a) Será mesmo que somente o que pode ser submetido à “testes experimentais” pode ser “considerado científico”? Poderíamos então “desconsiderar científica” toda a matemática, por exemplo, como abstração teórica (que é base para as ciências experimentais como a física, por exemplo), e todos os modelos teóricos em diversas áreas da ciência? A resposta é não, claro que não, como o professor de física experimental certamente bem sabe.

3.b) Podemos realizar experimentos científicos que comprovariam a hipótese “científica” do “multiverso” (“conjunto hipotético de múltiplos universos”)? Parece que não, pois para se provar a eventual existência destes múltiplos universos hipotéticos, seria preciso usar ferramentas experimentais indisponíveis, que medissem além deste universo conhecido, ou seja, além da física que conhecemos nesse universo. Em outras palavras, teríamos que apelar para a metafísica, e esse apelo teria certamente implicações filosóficas importantes.

3.c) Consideraríamos “pseudocientífica” a Mecânica Quântica – uma abstração teórica – e a sua aplicação química através da Teoria dos Orbitais Moleculares (TOM), por exemplo? Os orbitais moleculares, representados através das funções de onda (“psi”) matemáticas, não tem significado físico. Só as funções de onda ao quadrado é que significam a densidade de probabilidade e essa, precisa ainda ser integrada no volume do espaço para se calcular a probabilidade de se encontrar os elétrons nestas “regiões”.

O ponto em questão aqui é o seguinte: é possível se “medir experimentalmente” ou “enxergar” diretamente os orbitais moleculares de sistemas químicos? Não! Claro que não! No entanto, esta é a teoria científica vigente (TOM) que melhor explica hoje a estrutura e as propriedades de moléculas, e que tem sido usada para confirmar as melhores inferências sobre a existência destas regiões do espaço chamadas orbitais, por causa das observações experimentais indiretas em espectroscopia, por exemplo.

Em outras palavras, não “enxergamos” os orbitais diretamente, mas “medimos experimentalmente” os seus efeitos na realidade (matéria e energia), através de metodologia científica tradicional. O mesmo acontece com o Design Inteligente, quando procura por “causas inteligentes” na realidade que conhecemos (o universo e a vida), apesar de não sermos capazes de investigar quem foi o “designer inteligente”.

Note que com o advento da Mecânica Quântica (MQ) na virada e início do século XX, houve um grande embate para a mudança do paradigma científico do determinismo da Mecânica Clássica (MC) para o indeterminismo ou probabilismo inerentes da MQ. Muitos cientistas de renome, como por exemplo o próprio Albert Einstein, relutaram em aceitar a novo paradigma da MQ. Semelhantemente relutamos hoje em migrar do paradigma do evolucionismo para o DI, que oferecerá novos questionamentos e analogias explicativas para os fenômenos biológicos. O que é isso senão progresso científico?

O ponto principal aqui não é, portanto, a impossibilidade experimental nem a inexistência de evidências científicas a favor do DI, pois elas são muitas e tem aumentado a cada dia. O entrave é o comprometimento ideológico que uma parcela da ciência fez com o naturalismo e o materialismo filosófico.

Contrário então àquilo que os defensores do evolucionismo tentam propagar, o DI tem, sim, sido corroborado por incontestáveis evidências científicas em inúmeras áreas da ciência como um todo (física, química, bioquímica, biologia, etc.), apontando para “causas inteligentes” (como acontece em áreas como de ciência forense e arqueologia, diga-se de passagem), ao invés de “causas naturais” não guiadas.

O que certamente nos levará a um verdadeiro “conhecimento adquirido com o uso dos métodos da ciência” e à uma verdadeira “educação em ciência” e, portanto, o que ajudará no desenvolvimento científico, tecnológico e educacional da nossa nação não é a censura e desqualificação de novas teorias científicas fundamentadas em evidências sólidas, mas sim a busca pela verdade científica, a despeito das profundas implicações filosóficas e teológicas, que sempre acompanham a verdade revelada por fatos!

Comments (8)

Elinaldo Renovato de Lima

POSTEI NO FACE O ARTIGO E FIZ MEU COMENTÁRIO .
Gostaria de me inscrever na sociedade do DI.

Uau! Que texto extraordinariamente inteligente como nome da teoria que defendem! Sou professora de Teologia e estamos estudando no momento Teologia Sistemática 2 com nossos alunos do 3º ano. Utilizarei esse material em nossos estudos, pois justamente estamos vendo agora sobre as duas teorias da origem de tudo e suas implicações. Sempre fui fascinada pelo TDI e jamais poderia imaginar que aqui no Brasil havia uma sociedade tão bem organizada de cientistas que defendem essa linha de pensamento! Isso vai revolucionar a educação no meu país!

Isabela de Jesus Marcolino

Parabéns! Gostei bastante do texto, pretendo ler todos os artigos relacionados. Sou aluna do curso de Teologia, estamos estudando Sistemática II, aprendendo sobre os vários conceitos de homem e sua origem. Recentimente li um texto onde deixava implícito que o conhecimento está com os grandes teóricos, e que esse conhecimento dificilmente chega à população de modo geral, espero de verdade que com a Teoria do Design inteligente seja diferente, e ele seja popularizado na educação. Acredito que incluir a Teoria do Design inteligente na escolas será muito benéfico para as futuras gerações.

Verônica Cordeiro Silva

Prezados. Excelente texto e resposta ao comentário do Dr. Paulo e demais críticos da TDI. Além de estudante de teologia sou bióloga licenciada e possuo doutorado em Biologia e Biotecnologia de Micro-organismos. O texto publicado explica sob aspectos científicos a cerca da TDI ele é muito interessante e esclarecedor. Chamar a Teoria do Designer Inteligente de pseudociência é ter uma visão limitada do conceito da própria ciência. Deixá-la fora do currículo escolar é no mínimo negar aos estudantes o direito ao conhecimento.

patricia souza, Genilson Alves

excelente texto! Sou aluna juntamente com meu marido do curso de Teologia e estamos estudando Sistemática II.
venho aprendendo muito sobre a temática do homem e sua origem, ficamos muito impressionados com a TDI, vocês tem feito um ótimo trabalho, continuem avançado!

Emerson Bastos e Michela Bastos

Nós defendemos a teoria do designer inteligente e essa teoria deveria ser aplicada nas escolas para que todos tivessem o conhecimento da verdade sobre a nossa criação. Acreditamos que existiu sim um criador muito além das nossas perspectivas. Sabemos que através da ciência foram feitas várias descobertas, inclusive para nosso bem estar e saúde(algo dado ao homem por Deus) mas temos te quer em mente a criação divina como um alicerce fundamental para nosso crescimento e sobrevivência, temos que crer nas coisas sobrenaturais pois elas estão ligadas diretamente a nossos sentimentos e emoções. Há mais de 2 mil anos atrás o homem (a humanidade) tem tido as mesmas características físicas, o que nos diferencia hoje dos antigos, são as formas de vestimentas e comportamentos, pois até hoje temos as mesmas características de homem criado por Deus, e os macacos continuam macacos.
Poderíamos até chama-lo de teoria do designer sábio, pois é a sabedoria que vem do alto e nos faz compreender as coisas divinas.

Jó 9:10
“O que faz coisas grandes, que se não podem esquadrinhar, e maravilhas tais que se não podem contar.”

Nos defendemos o ensino design inteligente nas escolas, por que o ser humano é um ser pensante e totalmente capaz de discernir em relação ao criacionismo, e compara-lo com evolucionismo e ver aquilo que tem mais sentido, não ensinar o design inteligente na escola, é privar o ser humano de se ter uma analise critica daquilo que está sendo ensinado. As descobertas da ciência ao longo do tempo contribuíram para aquilo que a humanidade vive hoje, mais muito dessas descobertas, não são descobertas, por que já estava a milhares de anos escrito na palavra de Deus.

Excelente explanação, aplicando bem os princípios científicos e repleto de referencias, tando de estudos como de teóricos, sou aluno de Instituto teológico e acredito que seja primordial essa abordagem pois com dados científicos e mostrada as possibilidades impares do Designer Inteligente e suas implicações para a novo ciência, a quebra do “ceticismo cientifico” que acaba implicando em opiniões próprias baseadas em paradigmas e insistência de negar o inegável marginalizando a ciência, com as ferramentas da Mecânica Quântica e as descobertas da TDI pode-se avançar e descobrir novas realidades cientificas.

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